O ensaio sobre o silêncio.

Texto maravilhoso que encontrei e descreve perfeitamente meu momento atual.

“Como terapeuta do som, tive, e ainda venho fazendo esse estudo, que aprender a lidar com o silêncio, com a pausa, com o hiato, com o vazio, a ausência, a quietude, a imobilidade, a falta de estímulo, enfim, a morte de tudo que me agita, me dá um suposto senso de identidade, que parece que constrói minha segurança em Ser.

Ausência de estímulo em nossa sociedade hiper estimulada, pode ser um lugar aterrador, estranho, que causa sensações estranhas, um terreno desconhecido e assustador.

Querer parar é uma escolha. Escolher voluntariamente trilhar esse nível de consciência de Nada, isso constrói e lapida o que o Roberto Assagioli chamou de Vontade.

Por que então parece ser tão desafiador adentrar e permanecer nesse espaço de silêncio? Vamos provocar! Porque nesse espaço, o ego perde força, a mente perde influência, o medo perde o controle e a identidade é relativizada. Caso a pessoa não tenha aprendido a apreciar a própria natureza, a própria companhia, possua uma autoestima baixa, levando-a para lugares de autodescuido e abandono, em forma de sabotagens inconscientes, sem dúvida, ficar pousado no silêncio e ter que olhar para si, será bem desafiador.

Ou se a pessoa é hiper identificada com seu plano mental, que a leva a polarizar em sua atividade profissional, familiar, social e só se sente reconhecida (ou seja, sente que é amada ou valorizada quando vestida dessas posições), o silêncio irá convidá-la a ficar nua, retirando cada uma das fantasias, uma nudez difícil de olhar.

Há ainda a pessoa que tem medo de morrer, que no fundo significa que ela tem medo de viver, medo de amar, medo de ser feliz, de ser bela, de ser leve e abundante, a pessoa que se entorpece de sofrimento, amargura, ódio, ressentimento, que vicia suas células com neuropeptídeos que vibram medo, essa pessoa ao ser tocada pelo silêncio será desafiada a vivenciar a morte, o luto, a dor.

Quem não consegue se entregar durante a noite, para um sono profundo e reparador, em alguma medida, é porque não consegue morrer, já que dormir é uma pequena morte. Há apego, controle e sentimento de falta.

O silêncio será absolutamente assustador, pois suscitará que cada um desses sentimentos, venham a tona na consciência e haja o derradeiro contato, encarar, ir de encontro, resolver e finalmente integrá-los.

No silêncio o medo se torna ensurdecedor.

Dito tudo isso, agora fica mais fácil de entender o que de fato está por trás das falas corriqueiras sobre o ato de meditar, tais como “não tenho tempo”, “minha mente é muito agitada”, “eu esqueço de fazer”, “acho muito difícil”, “já sou calma, não preciso”.

Se meditar é por natureza o ato de Vontade que nos abre para o silêncio, sabendo que, para o ocidental entrar em silêncio é desafiador, é bem óbvio que não se queira tomar e desenvolver esse caminho.

Podemos resumir a luta da raça humana, pela luta por liberdade e vontade própria (impulso creativo). Essa é a mola do progresso, contudo, ao mesmo tempo que o homem clama por liberdade, quando, realmente ele se vê diante de sua grandeza, diante de sua vastidão, do seu deserto, do seu poder de escolha e creação, é tudo tão grande e imenso, que pode ser assustador. É muita luz, é muita realeza, é muito amor, é muita responsabilidade. O homem então recua e nega sua luz, seu poder e sua ação creadora.

Quem no homem nega? Quem no homem se apequena, se encolhe, busca o canto, sente-se vulnerável e frágil? Quem no homem tem medo de grandes responsabilidades? Prefere que alguém faça, que se responsabilizem por ele? Quem? Muito provavelmente a parte imatura, a criança machucada. Que foi convencida de que em sendo ela, ela era ruim, ela atrapalhava a vida, era errada, desenhava mal, sua voz era muito estridente, sua cor muito forte, sua forma muito exuberante e seu cheiro muito enjoativo. Essa flor interrompida, podada antes do tempo certo. Essa parte carente de amor (subnutrida) que morre de medo da responsabilidade sobre si mesma.

A criança que, no vir-a-ser dela, teve o impulso CREADOR natural interrompido por alguma informação do campo (pais, educadores, cultura, situações traumáticas) gerando um sentimento de inadequação tremendo, uma culpa por ser quem se é absurda e uma falta de confiança no ato de se criar, no mundo, de tornar-se pessoa, ou seja, de se amar, se cuidar. É desse lugar que parte o medo de Ser Grande.

A terapia do som é desafiadora, é libertadora, é bela, porque é isso que ela faz, ela afina seu ser pequeno ao seu Ser Grande, que é o puro silêncio de ser.

Ao mergulharmos no Nada, nos fundimos ao Todo.

ELEVA Sound Healing
Afinando o Ser…

Texto retirado de:

http://www.elevaterapia.com.br

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